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O passado · a Universidade

De onde vinhamos estudantes de Coimbra, 1537–1908

Entre 1537 e 1908 matricularam-se pela primeira vez na Universidade de Coimbra 98 932 estudantes de que se sabe o ano. 3270 tinham nascido fora de Portugal e das ilhas, 2824 deles no Brasil. Documentado[1]

O globo

Ano a ano, quem chegou

Cada fio é uma terra fora de Portugal; cada luz que corre por ele é uma primeira matrícula nesse ano. Em Portugal e nas ilhas, os pontos acendem-se com as matrículas da década.

1537201 primeiras matrículas1 nascido fora de Portugal1 fora de Portugal, desde 1537
arraste para rodar · roda para aproximar
  • Portugal continental150
  • Açores1
  • Madeira4
  • Brasil·
  • África1
  • Ásia·
  • Resto da Europa·
  • América espanhola·
Documentado[1]
Quatro épocas

Uma universidade do reino que passou a ser do império

A parte de cada terra nas primeiras matrículas, por épocas da história da Universidade.

  • Portugal continental
  • Açores
  • Madeira
  • Brasil
  • África
  • Ásia
  • Resto da Europa
  • América espanhola
  1. 1537–1639

    A universidade do reino

    19 557 primeiras matrículas · 190 por ano · 3 % de fora do continente

    só os 599 de fora do continente · 2179 sem lugar no mapa

    A Universidade fixa-se em Coimbra em 1537. Durante um século quase todos os alunos nascem no continente, e os de fora vêm sobretudo das ilhas; os do Brasil, da Índia e da Irlanda, num século inteiro, contam-se às dezenas. Documentado[2]

  2. 1640–1771

    O Atlântico

    56 895 primeiras matrículas · 431 por ano · 5 % de fora do continente

    só os 2433 de fora do continente · 7714 sem lugar no mapa

    Depois da Restauração o Brasil entra em força. A Baía, o Rio de Janeiro e Pernambuco mandam alunos quase todos os anos, e a partir de 1700 juntam-se as vilas de Minas Gerais: Vila Rica, Mariana, Sabará, São João del-Rei. Documentado[1]

  3. 1772–1833

    Depois da reforma

    10 370 primeiras matrículas · 167 por ano · 13 % de fora do continente

    só os 1195 de fora do continente · 1164 sem lugar no mapa

    Os Estatutos de 1772 mudam os planos de estudo e as matrículas novas caem para menos de metade. O Brasil não cai tanto: até à independência, um em cada doze novos alunos nasceu lá. Documentado[2]

  4. 1834–1908

    Depois do Brasil

    12 110 primeiras matrículas · 161 por ano · 9 % de fora do continente

    só os 998 de fora do continente · 1041 sem lugar no mapa

    Com o Brasil independente e as suas próprias faculdades de Direito, os fios do Atlântico Sul esmorecem. Ganham peso os Açores, e chegam mais alunos de Goa e de Moçambique. Documentado[1]

O Brasil

O Brasil em Coimbra

Primeiras matrículas de estudantes nascidos no Brasil, por década.

015030012 %0 %1530–1539: 0 de 395 (0,0 %)1540–1549: 0 de 771 (0,0 %)1550–1559: 1 de 1015 (0,1 %)1560–1569: 0 de 960 (0,0 %)1570–1579: 3 de 1879 (0,2 %)1580–1589: 3 de 2230 (0,1 %)1590–1599: 6 de 2289 (0,3 %)1600–1609: 4 de 2119 (0,2 %)1610–1619: 19 de 2602 (0,7 %)1620–1629: 17 de 3068 (0,6 %)1630–1639: 12 de 2229 (0,5 %)1640–1649: 20 de 2394 (0,8 %)1650–1659: 35 de 3024 (1,2 %)1660–1669: 15 de 2138 (0,7 %)1670–1679: 55 de 3158 (1,7 %)1680–1689: 62 de 3746 (1,7 %)1690–1699: 112 de 3790 (3,0 %)1700–1709: 68 de 4268 (1,6 %)1710–1719: 60 de 3691 (1,6 %)1720–1729: 213 de 5521 (3,9 %)1730–1739: 208 de 6056 (3,4 %)1740–1749: 201 de 5349 (3,8 %)1750–1759: 212 de 5941 (3,6 %)1760–1769: 259 de 7208 (3,6 %)1770–1779: 191 de 1683 (11,3 %)1780–1789: 160 de 1783 (9,0 %)1790–1799: 123 de 2112 (5,8 %)1800–1809: 90 de 1387 (6,5 %)1810–1819: 148 de 2032 (7,3 %)1820–1829: 214 de 1907 (11,2 %)1830–1839: 44 de 947 (4,6 %)1840–1849: 73 de 1668 (4,4 %)1850–1859: 49 de 1420 (3,5 %)1860–1869: 27 de 1244 (2,2 %)1870–1879: 17 de 1201 (1,4 %)1880–1889: 32 de 1537 (2,1 %)1890–1899: 42 de 2107 (2,0 %)1900–1909: 29 de 2063 (1,4 %)17721822182715501600165017001750180018501900
  • nascidos no Brasil, por década
  • parte de todas as primeiras matrículas
  • Documentado[1]
  1. 1772 Estatutos pombalinos: a reforma da Universidade. Documentado[2]
  2. 1822 Independência do Brasil. Documentado
  3. 1827 A lei de 11 de Agosto cria os cursos de Direito de São Paulo e de Olinda. Documentado[3]

Antes de 1827 quem quisesse ser bacharel em Leis ou Cânones no Brasil tinha de atravessar o oceano. Na década seguinte à lei, as primeiras matrículas de brasileiros em Coimbra caem para um quinto, quando o total da Universidade só caiu para metade. Documentado[3]

Os mais longe

Os que vieram de mais longe

As terras mais distantes de Coimbra, com o primeiro aluno que as fichas registam.

  1. 10 844 km

    Macau

    Ásia · 21 fichas

    primeiro registo, 1718Francisco Gomes

  2. 9767 km

    Buenos Aires

    América espanhola · 1 ficha

    primeiro registo, 1827Lino António Rebelo

  3. 9726 km

    Colónia do Sacramento

    América espanhola · 24 fichas

    primeiro registo, 1741Manuel Ferreira de Macedo Pereira

  4. 9679 km

    Montevideu

    América espanhola · 2 fichas

    primeiro registo, 1836António Eliseu de Macedo

  5. 8971 km

    Rio Grande do Sul (Porto Alegre)

    Brasil · 27 fichas

    primeiro registo, 1785Manuel Joaquim Pereira de Matos Castelo Branco

    a ficha diz só a terra; o ponto fica na sede
  6. 8827 km

    Chuquisaca (Sucre)

    América espanhola · 1 ficha

    primeiro registo, 1867Alfredo António Simoes dos Santos Lisboa

  7. 8604 km

    Ilha de Santa Catarina

    Brasil · 1 ficha

    primeiro registo, 1795José Xavier Vidal Moniz Barreto

  8. 8298 km

    Inhambane

    África · 3 fichas

    primeiro registo, 1879Francisco de Sousa Teixeira

  9. 8261 km

    Goa

    Ásia · 92 fichas

    primeiro registo, 1550Francisco Leitão

    a ficha diz só a terra; o ponto fica na sede
  10. 8142 km

    Santos

    Brasil · 25 fichas

    primeiro registo, 1708Bartolomeu Lourenço

  11. 8125 km

    Itu

    Brasil · 2 fichas

    primeiro registo, 1806José Correia Pacheco da Silva

  12. 8119 km

    São Paulo (capitania)

    Brasil · 50 fichas

    primeiro registo, 1722Francisco Vieira Rebelo

    a ficha diz só a terra; o ponto fica na sede

Documentado[1] Medido[5]

O que falta

O que as fichas não dizem

  • 5765fichas sem data de matrícula: contam no total, mas em nenhum ano.
  • 6428fichas sem naturalidade.
  • 6515fichas com uma naturalidade que não se pôs no mapa: aldeias que já não têm esse nome, nomes que existem em Portugal e além-mar ("São Paulo", "Paris"), e grafias que não se deixam ler.
  • 601fichas posteriores a 1908, quando o ficheiro deixa de ser contínuo.
  • Quando a ficha só diz a capitania ("Baía", "Minas Gerais", "Angola"), o ponto fica na sede dela; quando só diz o país ("Brasil", "Irlanda"), conta para a região e não tem ponto, ou tem-no na capital.
  • O ficheiro foi feito à mão nos anos 1940–50, a partir dos livros de matrícula. Há alunos com duas fichas, e anos em que a matrícula de entrada não ficou escrita.
  • Em Portugal, cada naturalidade foi procurada pelo nome; um nome de aldeia repetido pode ter caído na aldeia errada. À escala do globo, é a mesma luz.

105 298 fichas no total Documentado[2]

A primeira mulher matriculou-se na Universidade em 1891. A história dela está nos Retratos.

Referências
  1. Arquivo da Universidade de Coimbra, Índice dos Alunos da Universidade de Coimbra (1537–1919), o “Ficheiro de alunos”; exportação e base de dados de J. R. Carvalho, FAUC-1537-1919, versão 0.1.0 (2022), licença CC BY-NC-SA 4.0. github.com/joaquimrcarvalho/fauc1537-1919
  2. J. R. Carvalho (2022), “The student records of the University of Coimbra (1537–1919): an Open Data Science approach”, Boletim do Arquivo da Universidade de Coimbra, XXXV (1), pp. 11–58. impactum-journals.uc.pt/boletimauc/article/view/11411
  3. Lei de 11 de Agosto de 1827, que cria dois cursos de ciências jurídicas e sociais, um em São Paulo e outro em Olinda (Coleção das Leis do Império do Brasil). www2.camara.leg.br/legin/fed/lei_sn/1824-1899/lei-38401-11-agosto-1827-566698-publicacaooriginal-90225-pl.html
  4. Bartolomeu Lourenço de Gusmão: o primeiro cientista brasileiro, Revista Brasileira de Ensino de Física (SciELO). www.scielo.br/j/rbef/a/RKMWHMRsjG3CH8vfzp4XZ9v/?lang=pt
  5. Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), © contribuidores do OpenStreetMap, ODbL; as terras do globo, Natural Earth 1:50 m. www.openstreetmap.org/copyright